
Para cada um paciente renal crônico, outros 28 apresentam problemas mais brandos nos rins e, pior, a quase totalidade deles não tem conhecimento da enfermidade. A estatística, elaborada pelo Censo Nefrológico no ano passado, foi apresentada nesta quinta-feira (10), durante as atividades desenvolvidas no Parque da Jaqueira, no Recife, durante o Dia Mundial do Rim. Somente em Pernambuco, estima-se que 100 mil pessoas tenham doenças que comprometem o órgão.
Apenas no estado, 1.783 pessoas aguardam na fila de transplante por um rim. O órgão é um dos mais raros, mas também dos mais necessários, o que aumenta a angústia de pacientes como Natanael Barbosa de Lima. Aos 27 anos, o ex-zelador já não trabalha. Morador de Itaquitinga, o jovem vem ao Recife fazer hemodiálise três vezes por semana, em sessões de 4 horas, o que faz com que ele tenha dificuldades de conseguir emprego.
Há quase dois anos na espera e preenchendo um perfil raro, de jovem sem outras doenças crônicas que desenvolve a insuficiência renal, ele se apega a parte de sua vida que pode ser considerada normal e que não envolve máquinas em seu cotidiano. “Quando comecei a ter problemas, em 2009, senti dores nas pernas e nos braços. Hoje, apenas tenho um problema de pressão de vez em quando, mas nada muito sério. Vivo bem, na medida do possível, e vou ficar ainda melhor agora que vou ser pai”, garante.
Entre os principais fatores de risco para problemas renais, o diabetes e a hipertensão são os grandes vilões, uma vez que pelo menos uma das enfermidades está presente no diagnóstico de 50% dos pacientes renais crônicos. Justamente por isso os personagens Rinaldo e Renaldo, mascotes da campanha, convocaram quem caminhava no Parque da Jaqueira para conferir a pressão arterial e fazer um teste rápido de glicemia.
Para o militar Carlos Alberto de Amorim, de 60 anos, a oportunidade veio como um alerta. Hipertenso, ele aproveitou a caminhada para conhecer as formas de se prevenir de outras doenças que possam afetar o órgão. “Tem que ficar alerta. Um sessentão assim? Precisa de informação mesmo. E de graça fica melhor ainda”, brinca. A comerciante Rejane Martins também aproveitou o teste de glicemia para saber se tem que maneirar nos doces. “Tenho que manter tudo controlado para poder ficar tranquila”, garante.
De acordo com o assessor da Secretaria Municipal de Saúde, Tiago Feitosa, a ação tem o objetivo de alertar para a necessidade de verificação constante dessas duas doenças, que influenciam bastante a saúde nefrológica do paciente. “A hipertensão já atinge 5% da população adulta, por isso é preciso ficar vigilante. Com rotinas estressantes, hábitos alimentares sofríveis e falta de exercício físico, complicações como as doenças renais podem ocorrer, mas poderiam ser evitadas de formas simples”, afirma.
Segundo o coordenador do departamento de nefrologia do Hospital Maria Lucinda, Rodrigo Bezerra, há uma preocupação ainda maior quando se trata pacientes do Nordeste, onde a ingestão de sal em excesso, um dos componentes que favorecem a deterioração do rim, faz parte da cultura local. “Com pratos como carne de charque, por exemplo, consumidos com freqüência, a média de consumo diário de sal chega a ser mais de três vezes superior ao ideal. Enquanto o índice deve ser de 5 a 6 gramas, em Pernambuco, a média gira entre 15 e 20 gramas diariamente”, explica.
Além de hábitos físicos e alimentares, o comprometimento do rim também pode ser evitado com comportamentos simples, como a ingestão diária de pelo menos 1,5 litro de água. Para verificar o funcionamento regular do órgão, durante os check-ups anuais é recomendado que o próprio paciente solicite ao seu médico o exame de creatinina na urina e no sangue. Quando presente em altos índices, a substância indica que o órgão não funciona adequadamente.
Como funciona – Os rins são os órgãos responsáveis por eliminar as impurezas de nossa sangue, além de controlar a quantidade de água e sal do corpo e produzir hormônios para o bom funcionamento do organismo. Em casos de transplante ou de comprometimento parcial do órgão, é possível viver com apenas um deles, suficiente para, em um ritmo mais lento, tratar o sangue e regular a pressão arterial da pessoa.
De acordo com o nefrologista Rodrigo Bezerra, um dos grandes desafios para o paciente e a classe médica é o diagnóstico precoce. Por se tratar de uma doença silenciosa, normalmente, os sintomas só se manifestam em um estágio avançado. “Nesse caso é possível verificar anemia, diminuição do volume e muita espuma na urina, vômitos, soluços persistentes, inchaço, indícios de infecção urinária, palidez e fraqueza”, ensina, lembrando que o mais importante é apostar na prevenção.
Fonte: Ed Wanderley – Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

Aproximadamente 12 milhões de brasileiros apresentam algum grau de insuficiência renal e 52 milhões correm risco de desenvolver o problema por serem idosos, obesos, diabéticos, hipertensos ou terem algum histórico familiar – os principais grupos de risco da doença. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a insuficiência renal afeta um em cada dez indivíduos, mas cerca de 90% não sabem que têm a doença, uma realidade que muitos desconhecem e que poderia ser evitada.