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Artigo: Matemática da Longevidade

terça-feira, 9 de março de 2010

Dr. Francisco Habermann

Fato curioso se aprende na história da cultura japonesa com o transporte de peixes vivos no alto mar até os centros urba- nos de consumo. Para atender ao exigente mercado da culinária tradicional daquele povo oriental, hoje apreciada saudavelmente mundo afora, é imprescindível o produto chegue vivo ao destino. Desde a época pré industrial, um dos recursos utilizados por eles era colocar nos tanques de água dos navios de transporte marítmos um pequeno exemplar de tubarão entre as toneladas de peixes pescados vivos. O tubarão comia lá alguns peixinhos mas mantinha todos os outros sempre ativos e muito espertos durante toda a viagem, chegando todos vivos e sadios ao destino. Estavam salvos os apreciados sushis…

Esta pequena lembrança alerta para um dos problemas da nossa vida cotidiana: todos queremos viver muito e cada vez mais e mais com o merecido conforto! Mas isso tem um preço: é preciso cuidar-se, ficar atento e movimentar-se continuamente. O tão almejado conforto que a vida moderna oferece não deve incluir a inatividade. O trabalho extenuante seja cerebral, intelectual ou manual, muscular, faz parte da saúde, por mais paradoxal que possa parecer. A inatividade mata. Nossos avós já diziam essa verdade. Grandes notoriedades do nos- so mundo contemporâneo, como o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer e tantos ou- tros, continuam trabalhando e produzindo, embora a idade avançada.

Destaca-se a longevidade humana como verdadeiro prêmio e é realmente uma vitória que devemos, em grande parte, aos avanços da Medicina. Esta tem alertado sobre a necessidade incessante de se atentar para os fatores de risco para a saúde cardio-vascular, entre outras recomendações. Vale recordar que atender ás recomendações médicas ( que todo mundo está cansado de saber ) contribui para manter a saúde com longevidade. Especialmente porque esta, sem aquela, não tem graça. A graça da felicidade terrena.

Só para dar um exemplo da importância dos fatores citados acima, o periódico Circulation publicou nesta semana avaliação com 8.800 pessoas com mais de 25 anos de idade, mostrando que cada hora passada em frente à TV aumenta em 11% o risco de morte por qualquer causa e em 18% o risco de morte por problemas cardiovasculares, mesmo após excluírem fatores de risco já conhecidos, como colesterol, tabagismo, gordura abdominal e prática moderada de exercícios. Isso destrói a felicidade e a esperança. Há que se trabalhar muito ainda no esclarecimento populacional, na direção da vida saudável, poupando mais de trezentas mil mortes anuais por doenças cardiovas- culares só no Brasil. A prevenção se impõe.

A Associação Botucatuense de Assistência ao Hipertenso – ABAH -, fundada em 26 de abril de 2008, juntamente com a Associação dos Corredores de Botucatu – ACOB- e o Círculo de Amigos da Música – CAMU- tem realizado palestras sobre Qualidade de Vida – Geração sem Idade , contribuindo com o brilhante trabalho de Extensão à Comunidade já realizado desde sempre pela Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP.

O leitor pode fazer as contas e avaliar, pelas ilustrações deste artigo, como anda a matemática da sua longevidade e recordar que vale a pena sacudir a sua vida. Faça as contas e avalie. Sua decisão pode fazer a diferença… para você mesmo. Seja feliz e saudável!

* Francisco Habermann é Docente do Depto. de Clínica Médica – FM Botucatu – UNESP email: fhaber@uol.com.br

Associações Civis na Prevenção da DRC

terça-feira, 9 de março de 2010

O PAPEL DAS ASSOCIAÇÕES CIVIS NA PREVENÇÃO DA DOENÇA RENAL CRÔNICA ( DRC )  -   NOVA ESTRATÉGIA DE AÇÃO POPULACIONAL

Centro de Hipertensão Arterial – HC da Faculdade de Medicina de Botucatu (SP) – UNESP e Associação Botucatuense de Assistência ao Hipertenso ( ABAH )

Daniel Habermann*, Paulo Affonso do Nascimento**, Silvia Regina Rodrigues**, Ana Maria Rodrigues***, Mônica de Paula***, Rita de Cássia Lusoli****, Francisco Habermann *****

O conhecimento e adesão ao controle individual dos fatores de risco cardiovascular ( RCV ) pela população são os desafios modernos para a redução da morbi-mortalidade cardiovascular e índices de internação hospitalar (300 mil mortes/ano no Brasil). Na população de renais crônicos isso é patente. Sabe-se que o conhecimento individual prévio sobre RCV e a mudança do estilo de vida diminuem significativamente a incidência e prevalência de complicações cardíacas, encefálicas e renais crônicas. A Organização Mundial da Saúde vem manifestando preocupação crescente com o avanço das complicações cardiovasculares e renais. No Brasil, 10% da população (quase 20 milhões) é portadora de microalbuminúria e necessita de cuidados preventivos para Insuficiência Renal Crônica (IRC). Importa, urgentemente, conhecer mecanismos de facilitação da adesão populacional aos programas de prevenção de IRC e tal propósito inicia-se pela avaliação populacional do seu conhecimento sobre RCV. No Centro de Hipertensão Arterial de Botucatu – UNESP (CHA), Bigheti, C.P. e col, em trabalho prévio (2009), avaliaram o estado de conhecimento individual sobre fatores de RCV, concluindo que  40% da amostra desconhecia o termo fator de RCV e mais da metade deles (53,4%) nunca discutiu ou ouviu falar desse conceito por parte de seus médicos assistentes. Dentre os últimos, seus preditores clínicos e laboratoriais relatados foram significativos na amostra analisada: 45% sedentários; 11,3% com aumento da circunferência abdominal; 18,6%  tabagista ou ex-fumantes; 16,5% dislipidêmicos; 44,3% com familiares dislipidêmicos; 34,6% hipertensos e 72% com familiares hipertensos. Os dados sugerem a importância do estabelecimento e discussão, com o paciente, do seu grau de RCV, hoje uma exigência prévia para o estabelecimento de metas terapêuticas e/ou  preventivas de complicações CV e renais, especialmente para diabéticos. Indicam, ainda, a necessária orientação precoce educativa escolar, a intensificação de campanhas de prevenção  junto à população (programa ABAH “Qualidade de Vida – Geração sem Idade”) e ações efetivas no Sistema Único de Saúde.

*Médico Especialista em Medicina do Esporte (Personal Med – Botucatu, SP) e Diretor Médico da ABAH ; ** Professor (a) de Educação Física (Personal Med – Botucatu, SP); *** Diretora da ABAH; **** Enfermeira HC, FMB; ***** Docente Faculdade de Medicina de Botucatu–Disciplina de Nefrologia–Dpto. Clínica Médica (UNESP); Correspondência: abahiper@hotmail.com